O livro conta a história de um príncipe que procura alguém com quem casar. São-lhe apresentadas várias princesas por quem ele não sente qualquer entusiasmo. Uma delas vem acompanhada do irmão e é por este que o príncipe se apaixona. Casam-se e são felizes para sempre.
Na opinião de algumas pessoas, ler esta história aos nossos filhos na escola é uma das consequências catastróficas da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Entendem que é preciso proteger as crianças da imoralidade que é o amor destes dois príncipes e exigem um referendo ao casamento, que vêem como uma espécie de conspiração gay que inclui a adopção de crianças e a educação sexual nas escolas com o objectivo de destruir a família tradicional, para impedir que essa Hidra de Lerna infecte as cabeças dos mais jovens.
Esta estória transmite a ideia de que a felicidade dos que não se encaixam no padrão da maioria é uma aspiração tão humana como a dessa maioria. Como é possível ver através dela – como faz o casal no vídeo incluído neste texto – a introdução da sexualidade nas escolas e não ver o mesmo nas estórias em que o príncipe casa com uma princesa? E como é que se “protege” uma criança da descoberta de uma realidade, que um dos seus colegas de turma tem dois papás ou duas mamãs ou que a mamã tem uma namorada e o papá tem um namorado? Não será necessário exigir também que esses meninos sejam censurados, que não falem da sua família na escola, que sejam proibidos de desenhar o agregado familiar?
É compreensível que as pessoas se assustem quando uma realidade subterrânea, que toda a gente sabe que existe mas prefere ignorar, passa a ser assumida e integrada com honestidade no nosso quotidiano. O casamento é um contracto mas para muita gente está carregado de simbolismo emocional. Não é fácil aceitar um modelo diferente daquele no qual fomos educados e no qual educamos os nossos filhos, mas o casamento entre pessoas do mesmo sexo acabará por ser uma realidade. O desafio não é tentar impedir uma inevitabilidade mas sim o de nos educarmos para ela.
domingo, 29 de Novembro de 2009
King & King
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
e as vítimas dele, têm estatuto de quê?
Após vários pedidos dirigidos à Alemanha pelo Ruanda para a detenção e extradição de Ignace Murwanashyaka, líder das FDLR - milícia Hutu que agrega grupos directamente ligados ao genocídio de 1994, responsável por inúmeros crimes contra a humanidade no Congo - assim como pressões nesse sentido vindas de grupos alemães e internacionais defensores dos direitos humanos, as autoridades alemãs procederam finalmente à sua detenção.
The pressure on the German authorities had recently increased. The United Nations expressed its surprise regarding the ease with which Murwanashyaka could control his militia groups in Congo from Mannheim. - Spiegel Online
Mais incrível é Murwanashyaka não só controlar as milícias a partir do paraíso alemão como ter também estatuto de asilado nesse país com base no facto de ser “vítima de perseguição política”.
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
across the universe
Images of broken light
Which dance before me like a million eyes
They call me on and on across the universe,
Thoughts meander like a restless wind
Inside a letter box
They tumble blindly
As they make their way across the universe
penhora
E o pagamento como é? O vendedor começa a explicar o financiamento. Não há qualquer tentativa de me convencer a optar pelo pronto pagamento, nem tão pouco o menciona, porque ninguém tem dinheiro para comprar nada a pronto pagamento e, apesar da crise, ou talvez devido a ela, já não sei, os vendedores recebem comissão pelo endividamento do cliente. Penhoramos as nossas vidas e há quem lucre com isso, contando com esse ganho extra para tirar a sua do prego. É tudo muito deprimente. Analiso o termo penhora e pergunto-me se cada memória traumatizante da nossa história pode resumir-se numa palavra.
caderno de memórias coloniais

Editor: Angelus Novus
ISBN: 9789728827663
O livro que a Isabela prometeu aos leitores do seu blogue já está à venda. Ainda não é possível encomendar online no site da editora, mas já está disponível no Wook.
«Manuel deixou o seu coração em África. Também conheço quem lá tenha deixado dois automóveis ligeiros, um veículo todo-o-terreno, uma carrinha de carga, mais uma camioneta, duas vivendas, três machambas, bem como a conta no Banco Nacional Ultramarino, já convertida em meticais.
Quem é que não foi deixando os seus múltiplos corações algures? Eu há muitos anos que o substituí pela aorta.»
Dois excertos aqui e aqui.
Adenda : Já está disponível no site da editora
emancipação
Fui comprar um pé de alface ao supermercado da dona Conceição e dei um salto ao café da Prazeres. Tinha a televisão sintonizada para a Praça da Alegria onde o Jorge Gabriel e a Sónia entrevistavam dom Manuel Clemente sobre o declínio da taxa de natalidade na Europa. Sempre fui defensora do direito à opinião de toda a gente mas, carácoles, porque é que as pessoas gostam tanto de pedir opinião sobre este assunto a quem se recusa dar qualquer contributo para o aumento da natalidade e tem um medo profundo que ela seja compensada com a imigração de gente não cristã? Adiante. A emancipação da mulher tem muito a ver com o declínio da taxa de natalidade, pois tem, mas dom Manuel, talvez adivinhando a grande alhada em que se meteria se a criticasse, não a criticou mas saiu-se com esta:
«Emancipação é uma palavra esquisita. Faz lembrar o rapaz que ficou preso na janela e depois teve de ser libertado.»
É uma forma peculiar de ver as coisas. Imagine-se a notícia nos jornais: “O rapaz que foi assaltar o supermercado acabando literalmente preso com o rabo de fora foi emancipado pelos bombeiros.”
Ah, grandes bombeiros emancipadores.
terça-feira, 10 de Novembro de 2009
muro
“It is good to realize that once there were times when we were not afraid to show feelings, and did not take considerateness and kindness to be a sign of weakness.” - Vaclav Havel sobre o espírito de 1989.
Estava na Alemanha pouco depois da queda do muro. Para os alemães de leste, agora à solta do lado de cá, tudo despertava ainda admiração. Distinguiam-se facilmente denunciados pela linguagem corporal, familiar porque era a mesma de muitos portugueses quando a Europa lhes entrou pela porta dentro. A distância entre as duas realidades roubava-lhes o anonimato no cenário da abundância. Sobressaíam pela timidez e curiosidade quase infantil pelos produtos expostos, empurrando carrinhos vazios dentro de supermercados, observando os outros alemães como se eles fossem também artigos de consumo, donos da vida que lhes tinha sido emparedada e selada com um beijo e que, garantiam os cem marcos de boas-vindas, agora era de todos. Mas não o era e eles tinham pressa.
Estranhos batiam à porta apresentando-se como remetentes das cartas que chegavam de longe a longe. Fizeram-se bolos e chá e encheram-se-lhes os braços de prendas e de abraços. O castelo de Neuschwanstein, o tal dos contos de fadas, estava repleto de alemães de leste e o Kurt, refugiado desde 1986, já não comprava todo o stock de cimento do armazém com receio de que esgotasse no dia seguinte.
Vinte anos depois fazemos a peregrinação das recordações do 9 de Novembro de 1989 e os sentimentos desse dia voltam a atravessar-nos o coração. Os líderes do mundo livre encadeiam discursos na porta de Brandemburgo e Lech Walesa faz cair as peças do dominó. No Euronews há uma reportagem sobre a ostalgie (nostalgia pelo leste) que alguns se apressam a interpretar como desejo de regresso ao passado. Não entendem, talvez, que é a certeza na mudança que alimenta o prazer dessa nostalgia.
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
poemas
Não sou estudiosa da poesia. De vez em quando atrevo-me e escrevo um poema mas sobretudo leio-a e é da leitura que quero falar. Ler um poema da Cláudia é um sobressalto. Entranha-se de tal forma que consigo repetir vários versos de memória logo após a primeira leitura. Transporto versos dispersos da Cláudia na minha cabeça.
os silvas
Deu-lhe para falar dos Silvas. O texto tinha por personagem principal um homem sem qualidades de apelido Silva. “Reparem bem”, dizia o professor, “esta personagem é tão desprezível que até o seu apelido o denuncia. Não sei o quê da Silva; como quem diz, das silvas, do mato, um animal”, e sacudia o braço para trás das costas como se estivesse a empurrar um Silva imaginário para longe dele, de volta à selva de onde não deveria ter saído. O professor não era Silva nem descendente de Silvas e sabia-o porque tinha uma árvore genealógica, à qual dava extrema importância, que o garantia.
Há dias, por acaso, fui cair numa página online, onde se falava dessa sua árvore, se bem que a propósito de outra pessoa da sua família. Lá estavam os não silvas seus antepassados, enumerados mais aos locais de origem, uns atrás dos outros; os de Fafe, os de Guimarães mais os não sei de onde. Não faço ideia dos motivos que levaram o jornal a descrever a árvore genealógica da personalidade, como se o facto de descender dos ás pela parte da mãe e dos bês pela parte do pai, tivesse alguma relevância nas suas qualidades ou defeitos, mas compreendo que às vezes, quando é necessário fazer esquecer deficiências pessoais, dá jeito ter uns antepassados ilustres para celebrar.
Tenho um carinho especial pelos Silvas, não de todos mas daqueles Silvas como quem diz, das silvas, do mato, uns animais. Estes Silvas, ao contrário do professor que tinha saído dum ramo especial da evolução humana, não se põem a pensar se o fulano ou sicrano da Silva que acabaram de conhecer é da família e não seguem bifurcações nas árvores genealógicas dos Silvas à procura de um nó comum que designe graus de parentesco. Sabem que acaba tudo na selva, no primeiro homo sapiens. São primos de toda a gente.
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Claude Lèvi-Strauss 1908-2009
“The thirst for objective knowledge,” he wrote, “is one of the most neglected aspects of the thought of people we call ‘primitive.’ ” - no N.Y.Times
terça-feira, 3 de Novembro de 2009
lágrima
Mal uma lágrima chega travo-a nas pestanas e empurro-a de volta para o saco lacrimal censurando-me a auto-comiseração. Há muito que não me dou licença de ter pena de mim, já não sei como se faz.
útero
Um dia o útero da minha cunhada caiu com o feto dentro dele. Ficou atravessado entre as pernas e o pânico entre os pulmões. Ela não sabia que o útero podia tentar fugir do corpo. Eu também não. Foi uma revelação – pensava saber tudo sobre as entranhas femininas – descobrir que o útero se pode cansar de nós como nós dele. Quando se cansa de nós, ou nós dele, deveria ser absorvido pelo corpo mas a natureza não o autoriza. Fica ali a cultivar fibromas, quistos, pólipos, tumores e demais maleitas, a obrigar-nos à provação que é o check-up rotineiro da ginecologista. Deite-se aí, abra as pernas, respire fundo, relaxe.
La Planète Sauvage
Os Oms (jogo com a palavra francesa hommes) foram levados pelos Draags para o planeta Draag como animais de estimação. Os Draags são gigantes alienígenas de pele azul, com orelhas em forma de ventoinha, enormes olhos vermelhos protuberantes e uma esperança média de vida muito superior à dos seres humanos. Alguns Oms são domesticados e usam uma coleira que os arrasta até aos seu donos quando é activada por controlo remoto. Outros vivem no estado selvagem e são periodicamente exterminados para manter o seu número controlado. A forma como os Draags tratam os Oms contrasta com o seu elevado desenvolvimento tecnológico e espiritual.
La Planète Sauvage - Filme de culto, realizado por René Laloux, baseado no livro Oms en Serie de Stefan Wul, prémio especial do júri no festival de Cannes de 1973.
domingo, 1 de Novembro de 2009
varanda
As mulheres enchiam a varanda, o lugar mais fresco da casa, em trajes interiores, soprando a renda das combinações com pequenos leques plissados em papel de jornal. Fumavam e transpiravam o chá nos corpos; o rímel manchado nas pálpebras, as unhas pintadas de vermelho, o cabelo domesticado prestes a desmoronar-se. Eram o espectáculo preferido da minha infância. Aninhava-me aos pés delas, embalada pelas histórias de faca e alguidar, a enumeração dos defeitos dos seus homens, os palavrões que podiam dizer sem pimenta na língua e o perfume sarapintado com o suor que se evaporava nas cavas dos vestidos que descansavam nas cruzetas. Eram excessivamente mulheres para os homens que tinham.
Nessas tardes de maldizer dobrava-se o mundo numa trança para a bater na pedra dura das lavadeiras do rio, espremê-la e estendê-la a corar num relvado muito esticadinha ao sol. Era assim que suportavam os homens. A vida regressava ao seu estado imaculado. Sem manchas.
sábado, 31 de Outubro de 2009
Halloween
“Hallowe’en has an undercurrent of occultism and is absolutely anti-Christian.” Parents should “be aware of this and try to direct the meaning of the feast towards wholesomeness and beauty rather than terror, fear and death” - Padre Joan María Canals, citado pelo L’Osservatore Romano (via Times Online)
Num minuto é-se uma criança vestida a rigor para uma festa inocente, bastante divertida até, e no outro é-se um agente do oculto. Terror, morte e oculto são assuntos que a igreja domina como faz questão de nos lembrar.
terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Alexandra e o seu cão
No meio de toda a trapalhada e insensibilidade do aparelho de justiça, nada mais resta à Alexandra do que abraçar o seu cão. Uma fotografia comovente que nos mete pelos olhos dentro toda essa injustiça que, dizem-nos, é justa porque está conforme as leis.
domingo, 25 de Outubro de 2009
Genesis nu e cru
O Livro de Genesis sem interpretações teológicas ou académicas, ilustrado palavra por palavra. Não aconselhado a menores de meio palmo.
terça-feira, 20 de Outubro de 2009
quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
múmias
Movia a ossatura, mumificado pela comitiva de bandeiras e algumas câmaras de TV, transbordando dos passeios para a rua incomodando o trânsito. O mesmo sorriso da adolescência, agora um pouco mais cínico, o mesmo corte de meia malga, agora com menos cabelo, o rosto excessivamente envelhecido, talvez, quiçá, do sol de Lisboa em demasia. Nunca pensei que desse em político, distracção minha - a política também funciona por dinastias.
Os políticos que a província embarca para a capital descem, por um dia, dos placards à calçada. Desembrulham-se na rua entre bandeiras e slogans parolos, apertando todas as mãos, beijando rostos estupefactos de mulheres encostadas nas soleiras das portas. Fazem todos os sacrifícios. Deixam as velhas lamberem-lhes a cara. Elas sabem que eles não gostam. Riem-se umas com as outras trocando detalhes do seu prazer maléfico, comparando cheiros de colónias e sabores de after-shave. Coleccionam lambidelas e no dia do voto decidem pela memória do nariz e da língua. Eles repõem no corpo camadas de linho encharcadas em resina, a toda a velocidade em direcção ao sul.
quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
kartoffelsalat
Esperava encontrar uma mulher vencida pelas investidas do cancro, débil, mergulhada em depressão, movendo-se penosamente da cama para o sofá e do sofá para a cama, uma resignação à inutilidade que a certa altura acomete os condenados e os faz subscrever a eutanásia ou suspirar pelo suicídio assistido; um esforço nos sorrisos e abraços nos netos com quem já não podem brincar, para quem já não tocam harmónica nem lêem livros, a quem já não ensinam a rega das flores e os segredos das criaturas do jardim. Esperava encontrar a fotocópia do Karl, resignado à morte traçada na radiografia, o mesmo distanciamento a meio das conversas, imaginando-se, talvez, como a alma de uma morta observando a vida que seguiria o seu curso depois da dela, sem ela. Imaginava-me apertando-lhe os ossos como apertei os do Karl, já morto mas ainda vivo, chorando no meu ombro quando nos vimos pela última vez, sabendo que era a última vez.
Enganei-me. Fui encontrá-la atarefada na cozinha preparando a sua famosa salada de batata para o churrasco de boas-vindas. Se não fosse pelo lenço azul que lhe esconde o crânio de onde desapareceram os caracóis cinza de que se orgulhava, dir-se-ia que ela e a doença eram desconhecidas uma da outra. A intimidade das duas só não passa desatenta a quem se dilata na auscultação da multidão de objectos de cozinha espalhados pelos balcões, sempre à mão, para evitar esticar braços para os alcançar nas prateleiras ou dobrar a espinha para os apanhar dentro dos armários ou das gavetas de baixo. A organização metódica da cozinha permanece agora com cada coisa no seu espaço determinado no granito dos balcões.
Há muitos anos que quero saber como prepara a salada de batata. Tenho atravessada nas memórias da Adeline uma nota onde está escrito “pedir o segredo da salada de batata”, mas em cada reencontro alguma coisa acontece que me impede de lho pedir ou de a ver prepará-la do princípio até ao fim. Há pequenas coisas que são assim, tão fáceis de obter ou realizar e que nunca se concretizam, como se a sua realização fechasse qualquer coisa que queremos manter em aberto; como se depois de me contar o segredo ela caísse morta no chão e desaparecesse entre caçarolas e tabuleiros. Poderia esquecer a salada de batata - já tenho várias receitas - mas a dela é diferente. É uma obsessão, como a de Karl com a pequena cancela de madeira do meu jardim que ele prometia arranjar quando viesse de visita, mas que, uma vez cá, nunca arranjava definitivamente apesar de passar horas à volta dela de martelo na mão e pregos na boca. Em vez disso plantou-me árvores ao redor das quais Adeline semeou cravos xaropes. Em vez do segredo da salada de batata trouxe comigo fotografias dos antepassados e histórias de lobos, de imigração e de guerra. Histórias de uma criança alemã da Bessaravia que atravessou a Europa como um bispo ou um cavalo atravessa um tabuleiro de xadrez, peças empurradas por homens que sem nunca a olharem nos olhos decidiram o seu destino. O destino de meninas que espreitam de fotografias sépia com duas tranças louras fechadas por enormes laços de seda.
terça-feira, 1 de Setembro de 2009
hall
Entrar em Portugal pela Raia é desolador. A primeira coisa que se vê logo a seguir à fronteira são círculos de erva seca ladeados por cartazes com fotografias gigantescas dos políticos que nos saúdam das alturas com promessas de progresso e melhorias, promessas tão secas como as rotundas. O hall de entrada em Portugal parece uma conspiração para tornar o regresso a casa o mais deprimente possível.
domingo, 16 de Agosto de 2009
norte
Faço-me à estrada. Vou juntar-me a turistas, camionistas, imigrantes, ciganos, gente em movimento nas estradas europeias, para cima e para baixo.





















